Descubra como a Igreja persevera na tribulação. Argumentos bíblicos sobre a fidelidade dos crentes em tempos difíceis.

Em nosso último artigo, mergulhamos na compreensão bíblica da Grande Tribulação, desmistificando concepções e estabelecendo seus propósitos divinos.
Hoje, meus irmãos e irmãs em Jesus Cristo, o foco será a posição da Igreja em relação a esse período de intensas provações.
Em nossa visão pós-tribulacionista pré-milenista, cremos que a Igreja passará pela Grande Tribulação, mas não como vítima, e sim como um povo fortalecido pelo Espírito para a vitória em Cristo.
É vital que o crente entenda essa verdade, pois ela molda nossa expectativa, nossa preparação e nossa capacidade de perseverar na fé.
A ideia de que a Igreja será arrebatada antes de qualquer sofrimento intenso, embora popular em algumas vertentes, não se sustenta diante de uma exegese cuidadosa das Escrituras e da própria história da Igreja.
George Eldon Ladd, em sua "Esperança Abençoada", bem como Douglas J. Moo, em "Three Views on the Rapture", oferecem argumentos contundentes que reforçam a realidade da Igreja perseverando na tribulação.
I. A Tribulação é a Norma para a Igreja, Não a Exceção
A história da Igreja, desde o seu início, é a história de um povo que experimenta aflições e perseguições por causa do nome de Jesus.
A tribulação não é um evento isolado no fim dos tempos do qual a Igreja seria poupada; ela é a jornada da fé para os que seguem a Cristo neste mundo caído.
1.1. O Ensino de Jesus sobre a Tribulação:
O próprio Senhor Jesus não prometeu a Seus discípulos uma vida livre de sofrimentos. Pelo contrário, Ele os preparou para eles:
João 16:33 (NAA):
“No mundo vocês terão aflições; mas tenham bom ânimo, pois eu venci o mundo.” Jesus não disse que seríamos retiradosdo mundo, mas que teríamos aflições no mundo.
Mateus 10:22 (NAA):
“E vocês serão odiados por todos por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim será salvo.” A perseverança em face do ódio implica sofrimento.
Mateus 24:9-10 (NAA):
“Então vocês serão entregues para serem atribulados e mortos, e serão odiados por todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos se escandalizarão, trairão uns aos outros e se odiarão.” Estas palavras de Jesus, no contexto do sermão escatológico, são uma clara advertência de perseguição para Seus seguidores antes de Sua vinda.
1.2. A Experiência dos Apóstolos e da Igreja Primitiva:
Os livros de Atos e as Epístolas estão repletos de testemunhos de tribulações. Paulo e os demais apóstolos enfrentaram açoites, prisões, naufrágios e perseguições constantes (2 Coríntios 11:23-28).
O livro de Apocalipse é escrito a igrejas que já estavam passando por severas perseguições (Apocalipse 1:9; 2:9-10).
A "A Escatologia Pós-Tribulacionista: Estudo e Fundamentação" ressalta que a vida cristã sempre foi marcada pela tribulação, não como um sinal de fracasso, mas como um meio de purificação e testemunho.
A Igreja primitiva não esperava um arrebatamento secreto para escapar; eles esperavam a vinda de Cristo em meio à tribulação.
II. Argumentos Bíblicos para a Perspectiva Pós-Tribulacionista
Nossa convicção de que a Igreja passará pela Grande Tribulação não se baseia em pessimismo, mas em uma leitura cuidadosa das Escrituras.
2.1. A Unidade da Vinda de Cristo e o Arrebatamento:
As passagens-chave sobre o arrebatamento da Igreja o conectam diretamente com a segunda vinda visível e gloriosa de Cristo, que ocorrerá após a Grande Tribulação.
Mateus 24:29-31 (NAA): Esta é uma das passagens mais decisivas. Jesus afirma que, "logo depois da tribulação daqueles dias", o sol escurecerá, as estrelas cairão, e então "aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem", e Ele enviará os seus anjos para "reunir os seus eleitos dos quatro ventos". A reunião dos eleitos (o arrebatamento) ocorre explicitamente após a tribulação.
1 Tessalonicenses 4:16-17 (NAA): “porque o próprio Senhor, por ordem, com a voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, descerá do céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.” A "trombeta de Deus" mencionada aqui é consistentemente ligada, no Novo Testamento, aos eventos finais e à vinda de Cristo, como em 1 Coríntios 15:52 ("ao ressoar da última trombeta"). Esta "última trombeta" em 1 Coríntios e a "trombeta de Deus" em 1 Tessalonicenses parecem ser o mesmo evento, que marca a ressurreição e o arrebatamento.
Quando comparamos 1 Tessalonicenses 4 com Mateus 24, a sincronia dos eventos — tribulação, sinais cósmicos, som de trombeta, e a reunião dos eleitos/arrebatamento — aponta para uma única vinda de Cristo, que acontece após o período de grande aflição.
Douglas J. Moo, em "Three Views On The Rapture", argumenta solidamente que esses textos descrevem o mesmo evento, e que a ideia de duas vindas (uma secreta antes da tribulação e outra visível depois) não encontra respaldo nos textos.
2.2. A Promessa de Preservação, Não de Remoção Total da Tribulação:
Jesus prometeu guardar Seus discípulos na tribulação, não necessariamente de toda tribulação.
João 17:15 (NAA):
“Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.”
A proteção divina é mais sobre a preservação da fé, do testemunho e da vida espiritual em meio às provações, do que sobre a ausência delas.
Apocalipse 3:10 (NAA), frequentemente citado em discussões escatológicas, diz:
"Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra."
A expressão "guardar da hora da provação" (τηρεω εκ της ωρας) pode significar "preservar através da hora" ou "proteger no meio da provação", não necessariamente "remover antes da provação".
A fidelidade da Igreja é o que a qualifica para ser guardada, e a perseverança é o tema central da mensagem às igrejas em Apocalipse.
III. Fortalecidos para a Vitória: A Atuação do Espírito Santo na Tribulação
A visão pós-tribulacionista não é de desespero, mas de profunda confiança no poder e na presença de Deus em meio às dificuldades. A Igreja será fortalecida para a vitória.
3.1. O Espírito Santo, Nosso Capacitador e Consolador:
Como pentecostais, cremos fervorosamente na atuação do Espírito Santo.
Ele é o nosso Consolador (João 14:16-18), Aquele que nos capacita com poder para testemunhar (Atos 1:8) e nos concede dons para edificar a Igreja (1 Coríntios 12).
Esta capacitação do Espírito é ainda mais vital em tempos de tribulação. Stanley M. Horton, em sua "Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal", ressalta o papel do Espírito na capacitação do crente para a vida vitoriosa.
Ele nos dará força para suportar, discernimento para resistir ao engano e coragem para proclamar a verdade, mesmo sob perseguição. Não estaremos sozinhos.
3.2. A Purificação e o Amadurecimento da Igreja:
A tribulação tem um propósito divino de purificação.
Daniel 11:35 (NAA) já nos diz:
“Alguns dos sábios cairão para serem refinados, purificados e alvejados até o tempo do fim, pois o fim ainda virá no tempo determinado.”
O sofrimento, embora doloroso, pode ser um cadinho que remove as impurezas e fortalece a fé do crente.
A Igreja que passa pela Grande Tribulação emergirá mais forte, mais madura e mais unida, glorificando a Deus em sua perseverança.
Essa é a noiva que se prepara para o Noivo, lavada e purificada (Apocalipse 7:14).
Herman Bavinck, em seu volume 4 da "Dogmática Reformada" ("Espírito Santo, Igreja e Nova Criação"), aborda a santificação e o papel da Igreja no plano de Deus, que inclui sua preparação para a consumação.
3.3. O Testemunho da Igreja Fiel:
A perseverança da Igreja em meio à Grande Tribulação será um poderoso testemunho ao mundo. Mateus 24:14 afirma que o Evangelho será pregado a todas as nações antes que o fim venha.
Isso sugere que, mesmo em meio à perseguição, a mensagem de Cristo será proclamada com ousadia pela Igreja fiel. A luz da Igreja brilhará mais forte em meio à escuridão.
Conclusão
Meus amados crentes, a verdade bíblica sobre a Igreja e a Grande Tribulação não é para nos amedrontar, mas para nos fortalecer.
Em nossa perspectiva pós-tribulacionista, não esperamos ser arrebatados para longe de todo sofrimento, mas seremos fortalecidos e preservados em meio à tribulação, pelo poder do Espírito Santo, para a vitória em Cristo.
Que essa compreensão robusta nos impulsione à perseverança, à santidade e a um testemunho ainda mais ousado, sabendo que nosso Senhor Jesus Cristo virá em glória para nos encontrar, logo após as grandes provações, para nos levar para o Seu Reino.
A Igreja de Cristo é invencível e triunfará! Maranata!
Para Aprofundar:
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Assista ao vídeo "6 - A Igreja na Tribulação: Fortalecidos para a Vitória." para complementar este estudo:
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Referências Bibliográficas:
A ESCATOLOGIA PÓS-TRIBULACIONISTA: Estudo e Fundamentação. [S. l.: Miquéias Tiago], [s.d.]. Material didático.
BAVINCK, Herman. Dogmática Reformada: Espírito Santo, Igreja e Nova Criação. Organizado por John Bolt. Tradução de Vagner Barbosa. São Paulo: Cultura Cristã, 2012. v. 4.
HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
LADD, George Eldon. Esperança Abençoada: um estudo bíblico da segunda vinda de Jesus e do arrebatamento. Tradução de Regina Aranha. São Paulo: Shedd Publicações, 2016.
MOO, Douglas J. Posttribulation. In: ARCHER JR., Gleason L. et al. Three Views on the Rapture. [S. l.]: Zondervan Publishing House, [s.d.].


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