Uma reflexão pastoral e necessária para o 2º turno das eleições 2026. Encontre paz, discernimento e fé enquanto as urnas são apuradas.
Neste domingo, 25 de outubro de 2026, o Brasil vive mais um momento histórico. Chegamos ao encerramento do segundo turno de uma das disputas presidenciais mais acirradas e intensas da nossa trajetória democrática moderna. Enquanto os portões das seções eleitorais se fecham e as urnas eletrônicas começam a emitir seus boletins para o início da apuração, sinto no coração a necessidade de conversar com você de forma muito franca, humana e próxima.
Sei que os últimos meses foram desgastantes. Vivenciamos debates acalorados, polarização nas redes sociais, divergence de opiniões no ambiente de trabalho e, infelizmente, episódios de tensão dentro das nossas próprias famílias. O clima de incerteza política muitas vezes tenta roubar a nossa tranquilidade e preencher o nosso peito com ansiedade. No entanto, convido você a fazer uma pausa neste momento. Respire fundo. Independentemente do resultado que os números finais revelarem no painel do Tribunal Superior Eleitoral, existe uma verdade espiritual e cidadã que permanece inabalável.
O papel do cristão na cidade: buscando a paz da nação
A cidadania não é um fardo, mas uma responsabilidade dada por Deus. Exercer o direito de voto, analisar propostas e acompanhar a vida pública da nossa nação são atos legítimos de amor ao próximo. Contudo, nossa missão como discípulos de Cristo não se esgota na confirmação do número na urna eletrônica. Pelo contrário, ela ganha ainda mais relevância no dia seguinte à eleição.
O profeta Jeremias enviou uma carta aos exilados na Babilônia com um conselho revolucionário para a época e profundamente atual para o nosso contexto eleitoral. Em um momento de profunda incerteza e transição política, a instrução divina foi clara:
"Procurai a paz da cidade para onde vos fiz transportar; e orai por ela ao SENHOR, porque na sua paz vós tereis paz."
— Jeremias 29:7 (NAA)
Buscar a paz da nossa cidade e do nosso país significa trabalhar ativamente pela harmonia social, pela justiça e pelo bem-estar coletivo. Significa compreender que governantes passam, mandatos terminam e hegemonias partidárias se alternam, mas a nossa comunidade, o nosso bairro e os nossos laços comunitários permanecem. A estabilidade de uma nação não depende exclusivamente de quem ocupa o Palácio do Planalto, mas de cidadãos comprometidos em viver com integridade, amor e responsabilidade cotidiana.
Guardando o coração contra a ansiedade da apuração
À medida que os gráficos de apuração sobem e a contagem dos votos avança em tempo real, é natural sentir a adrenalina e a expectativa aumentarem. A mente humana tende a projetar cenários catastróficos ou ideais, dependendo do candidato de sua preferência. No entanto, a Escritura nos oferece um porto seguro para estabilizar nossas emoções nos momentos de grande tensão nacional.
Escrevendo aos cristãos de Filipos — uma cidade marcada por forte efervescência política e orgulho civil romano —, o apóstolo Paulo trouxe uma exortação fundamental para manter a mente protegida:
"Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus."
— Filipenses 4:6-7 (NAA)
A paz que excede todo o entendimento não é a ausência de problemas políticos ou de desafios econômicos. Ela é a certeza absoluta de que Deus continua soberano sobre a história da humanidade e sobre o futuro do Brasil. Quando depositamos nossa ansiedade em Deus por meio da oração, trocamos o pânico do desconhecido pela serenidade da fé. Não precisamos ser consumidos pelo medo do amanhã, pois nossa esperança final não está depositada em ideologias humanas, mas no Criador.
Preservando as pontes: unidade e respeito nas famílias
Um dos impactos mais tristes do período eleitoral é a ruptura de relacionamentos interpessoais. Vimos famílias divididas, amizades antigas desfeitas por debates em grupos de aplicativos e irmãos na fé se tratando como inimigos por causa de preferências partidárias temporárias.
Quero fazer um apelo de todo o meu coração: não permita que a política partidária destrua a sua família. Nenhuma vitória ou derrota nas urnas justifica a perda de um abraço de pai, de mãe, de um filho ou de um amigo de infância. O debate de ideias é saudável para a democracia, mas o desrespeito, a discórdia e o ressentimento destroem a essência do convivência cristã.
- Pratique a escuta empática: Tente compreender as preocupações do outro sem julgamentos precipitados ou rotulações ideológicas.
- Reconheça a dignidade do próximo: Quem pensa diferente de você na política continua sendo uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus.
- Promova o perdão e o recomeço: Se palavras duras foram ditas durante a campanha, use este domingo para estender pontes, pedir desculpas e restaurar relacionamentos.
- Lembre-se da brevidade da política: Os ciclos eleitorais duram quatro anos; os vínculos familiares e o testemunho cristão duram para sempre.
A verdadeira esperança que não decepciona
A democracia é um valor inestimável e devemos zelar pelo seu aperfeiçoamento constante. Devemos orar pelos governantes eleitos, fiscalizar o uso do dinheiro público, cobrar propostas na área da saúde, educação e segurança, e exercer nosso papel com maturidade. Entretanto, como igreja e como cidadãos de fé, precisamos manter o alinhamento da nossa bússola espiritual.
O resultado que surgirá ao final desta noite definirá quem conduzirá o Poder Executivo nos próximos anos, mas não definirá o propósito de Deus para a sua vida, para a sua família e para a sua igreja. Os governos humanos são transitórios e limitados. Eles podem implementar boas políticas ou cometer erros administrativos, mas nenhum governante terreno possui o poder de salvar a alma humana ou de conceder a verdadeira paz interior.
Nossa verdadeira esperança ultrapassa os limites dos palácios governamentais e as fronteiras geográficas das nações. Ela está firmada Naquele que é eterno, justo e verdadeiro. Quando mantemos os olhos postos no Alto, conseguimos encarar as mudanças políticas com maturidade, sem desespero diante das derrotas e sem soberba diante das vitórias.
Caminhando juntos rumo ao amanhã
Quando este domingo terminar e o anúncio oficial do vencedor for consolidado, o Brasil precisará continuar trabalhando. Amanhã cedo, as escolas reabrirão, o comércio funcionará, os hospitais continuarão atendendo e cada um de nós retornará às suas obrigações diárias. O futuro do nosso país é construído na honestidade do trabalhador, na dedicação dos professores, no carinho dos pais e na oração sincera dos fiéis.
Que o Senhor abençoe a nossa nação neste dia decisivo. Que Ele conceda sabedoria aos eleitos, discernimento à população e, acima de tudo, derrama sobre os nossos lares uma onda de paz, reconciliação e esperança. Vamos juntos, com serenidade no coração, respeito ao próximo e fé inabalável no Deus que cuida do Brasil.
Sobre o Autor
Pr. Miquéias Tiago de Souza é Jornalista profissional (DRT/MG), Teólogo, conferencista e articulista do ecossistema RMT Comunicação. Dedica-se à análise de cenários políticos e econômicos sob a ótica da fé cristã, promovendo o discernimento, a cidadania e a edificação da igreja.
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